No Brasil, o câncer de próstata é um dos mais incidentes na população masculina, perdendo apenas para o câncer não-melanoma. É também uma importante causa de mortalidade entre os homens. Em 2020, 65.840 foram diagnosticados com a doença no país.
Esse câncer é silencioso, e só manifesta sintomas quando está em um estágio bastante avançado. Portanto, é muito importante que os homens comecem a frequentar o urologista a partir dos 40 anos, para acompanhar a saúde da próstata.
Veja nesse texto o que é câncer de próstata, sintomas, causas, tratamentos (como a cirurgia robótica), e o que fazer se surgir uma incontinência urinária após algum tratamento.
O que é o câncer de próstata?
O câncer de próstata ocorre quando as células dentro da glândula começam a crescer descontroladamente.
A próstata é uma glândula própria do sistema reprodutor masculino. Fica no colo da bexiga e na frente do reto. A uretra passa pelo centro desta glândula.
Sua função é produzir um fluido que se mistura e enriquece o sêmen, para melhorar a fertilidade.
A partir dos 40 anos, pode sofrer com algumas patologias, como a hiperplasia prostática benigna e o câncer.
Não estão bem definidas quais são as causas que levam um homem a desenvolver o câncer de próstata, porém, já se sabe de alguns fatores de risco que podem explicar a doença em um organismo:
- Hereditariedade;
- Envelhecimento;
- Raça (negros têm maior predisposição);
- Obesidade.
A maioria dos cânceres nesta glândula são adenocarcinomas, ou seja, derivado das células glandulares epiteliais excretoras. Os outros tipos são: carcinomas de pequenas células ou de células transicionais, sarcomas e tumores neuroendócrinos.
Quais os sintomas de câncer de próstata?
Os sintomas do câncer de próstata demoram para surgir e começam a se manifestar quando o problema já está adiantado. São:
- Sangue na urina e no sêmen;
- Aumento da frequência urinária;
- Urgência urinária;
- Problemas para urinar (dificuldade para começar e jato urinário fraco);
- Dor nos ossos (quadris, coluna e costelas);
- Perda de peso;
- Fraqueza ou dormência nos pés;
- Disfunção erétil.
Alguns desses sintomas são semelhantes aos da hiperplasia prostática (aumento da próstata), porém, é preciso exames para ter um diagnóstico mais preciso.
Diagnóstico do câncer de próstata
Durante uma consulta, o urologista irá fazer uma anamnese bem aprofundada, para investigar histórico familiar e sintomas (caso já manifesta).
Um dos exames principais para o diagnóstico é o toque retal, além do exame PSA, que avalia a quantidade do antígeno específico da próstata no sangue.
Quando os marcadores estão altos, pode ser um sinal da existência do câncer. No entanto, para refinar o diagnóstico, pode ser solicitada uma ultrassonografia transretal ou transperineal e uma biópsia.
A detecção precoce do câncer de próstata é muito importante para possibilitar mais chances de o tratamento ser bem-sucedido. Em muitos casos nos quais a doença ainda está em estágios iniciais, pode não ser necessária a cirurgia, apenas a observação vigilante.
É tão grande a necessidade de que os homens cuidem da própria saúde e façam consultas periódicas ao urologista, especialmente após os 45 anos, que surgiu a campanha Novembro Azul, que acontece em várias partes do mundo para estimular a detecção precoce do câncer de próstata.
A campanha é realizada por diversas entidades e dirigida especificamente aos homens.
Tratamentos do câncer de próstata
É muito importante buscar tratamento para essa patologia, porque o câncer de próstata pode espalhar por outros órgãos, o que é chamado metástase, e levar à morte. Pode tanto se espalhar para órgãos próximos, como a bexiga, como para os ossos e até a corrente sanguínea.

Além disso, o câncer de próstata ou o seu tratamento pode deflagrar uma disfunção erétil. Outra complicação importante que ocorre com certos tipos de tratamento é a incontinência urinária.
O tratamento do câncer de próstata vai depender de diversos fatores. Entre eles, estão incluídas a terapia hormonal, imunoterapia, quimioterapia, radioterapia, terapia medicamentosa direcionada ou a cirurgia de próstata robótica, laparoscópica ou aberta para retirada total da glândula, o que é conhecido como prostatectomia radical.
No entanto, em geral, a prostatectomia aberta é o principal motivo de surgimento da incontinência urinária ou disfunção erétil em homens que estão tratando o câncer. O primeiro motivo é porque a técnica aberta pode lesionar os nervos responsáveis pela ereção e micção.
Mas as prostatectomias robóticas diminuem os riscos de incontinência urinária e disfunção erétil, sangramentos, infecções e tem um restabelecimento mais rápido.
O segundo motivo para o desenvolvimento da incontinência urinária tem a ver com a radiação emitida no tratamento. Vamos ver mais detalhes abaixo.
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Incontinência é efeito colateral da cirurgia aberta de próstata
Quando os homens estão com câncer de próstata, as cirurgias prostáticas podem levar alguns deles ao desenvolvimento da incontinência urinária.
Em geral, a incontinência urinária é um problema que aflige muito mais as mulheres, especialmente a partir do envelhecimento, mas nos homens, em boa parte dos casos, tem a ver com a cirurgia para tratamento do câncer de próstata.
Quando um homem que está com câncer de próstata faz uma prostatectomia radical para a retirada total da glândula e dos tecidos que a rodeiam, que incluem vesículas seminais e alguns gânglios linfáticos, ou mesmo se submetem à radioterapia, que é necessária após remoção de alguns tipos de câncer, uma das possíveis consequências é a incontinência urinária, que é um problema urológico caracterizado pela incapacidade de controlar a micção.
Cerca de 2% a 10% dos pacientes que fazem a cirurgia ou a radioterapia para câncer de próstata podem ficar com esse efeito colateral.
Esse é um dado muito relevante porque a incontinência urinária traz sérios impactos para a qualidade de vida de uma pessoa.
Em primeiro lugar, os homens já ficam abalados com a existência do câncer em si, e ao fazer a cirurgia ou radiação, e perceberem que estão incontinentes, podem surgir alguns problemas emocionais, sem contar os prejuízos que isso pode causar para a vida social e até o trabalho.
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Por que tratamentos para câncer de próstata levam à incontinência?
A incontinência após uma prostatectomia pode ocorrer em função da lesão provocada no esfíncter (músculo responsável pela continência) ou em nervos que ajudam a controlar o funcionamento da bexiga, que acontece durante a cirurgia quando o câncer está mais aprofundado nos tecidos.
Já a radiação também pode diminuir a capacidade de reter a urina, causar espasmos e resultar em escapes urinários.
Mas, estudos sobre a cirurgia robótica para tratamento do câncer de próstata mostram que a incontinência temporária, que pode ocorrer após o procedimento, tende a ter uma recuperação mais rápida, ou seja, um retorno mais precoce da continência, quando comparada à técnica convencional.
No entanto, mesmo para aqueles que continuarem com o problema muito tempo após a cirurgia dos muitos tipos de câncer de próstata, há tratamentos para que essa condição seja normalizada.
Como tratar a incontinência após o câncer de próstata?
O primeiro passo será buscar um urologista que vai avaliar o tipo de incontinência urinária e estágio do problema, porque o grau varia de pessoa para pessoa, alguns homens podem perceber que perdem urina por gotejamento, enquanto outros perdem grandes volumes.
Normalmente, após o tratamento para câncer de próstata, os tipos mais comuns são a incontinência por esforço e urgência.
No primeiro caso, a perda urinária ocorre em situações onde ocorra uma pressão maior sobre a bexiga, como uma gargalhada intensa, um espirro ou a prática de um exercício físico.
Já a incontinência de urgência é mais comum nos pacientes que são tratados com radioterapia, pois passam a ter espasmos e algumas contrações involuntárias que tornam urgente a vontade de urinar.
O tratamento da incontinência urinária para esses casos pode ter inúmeras abordagens, como a terapia comportamental e as cirurgias.
A fisioterapia e abordagem comportamental são consideradas a primeira linha para o tratamento da incontinência.
Na fisioterapia estão previstos a realização de exercícios de Kegel e estimulação elétrica para fortalecimento do assoalho pélvico.
Já na terapia comportamental, os pacientes são orientados ao controle da ingestão de líquidos, buscar evitar correr ao banheiro sempre que surgir a vontade de urinar, programar horários para urinar, etc.
Para casos mais moderados também podem ser tentados métodos como as injeções endoscópicas.

Cirurgias para incontinência urinária nos homens
Há também cirurgias para o tratamento da incontinência urinária nos homens após uma prostatectomia. As mais indicadas são o esfíncter artificial e sling:
Esfíncter artificial
Essa opção tem sido bastante indicada para homens que sofrem perdas de grandes volumes de urina ou de forma muito contínua. Essa solução já é considerada o padrão ouro para incontinência.
O esfíncter artificial é um dispositivo com um balão que vai ocluir a uretra.
Sling
A colocação do sling uretral é um método minimamente invasivo, mais indicado para incontinência leve e moderada. Consiste em introduzir uma fita sintética ou biológica abaixo da uretra, que reforça a sustentação da estrutura urinária, com o objetivo de reduzir a perda de urina.
Como prevenir o câncer de próstata?
Mas, antes que um homem precise falar de tratamento da incontinência após uma intercorrência cirúrgica é preciso também buscar evitar o câncer de próstata ou mesmo o agravamento desta patologia.
A hereditariedade e a idade são fatores de risco para o surgimento do câncer de próstata, portanto, é muito importante que os homens passem a frequentar os consultórios dos urologistas a partir dos 40 anos, para fazer os exames clínicos, laboratoriais e endoscópicos, que são preventivos e necessários.
Além disso, o risco dessa doença também aumenta com o excesso de gordura corporal. Assim, manter hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos e uma alimentação balanceada, para manter o peso ideal, são fatores de prevenção. E mais um conselho importante: pare de fumar.
A detecção precoce do câncer de próstata também é muito importante para possibilitar mais chances de o tratamento ser bem-sucedido. Em muitos casos nos quais a doença ainda está em estágios iniciais, pode não ser necessária a cirurgia, apenas a observação vigilante.
Cirurgias para incontinência urinária nos homens
Há também cirurgias para o tratamento da incontinência urinária nos homens após uma prostatectomia. As mais indicadas são o esfíncter artificial e sling:
Esfíncter artificial
Essa opção tem sido bastante indicada para homens que sofrem perdas de grandes volumes de urina ou de forma muito contínua. Essa solução já é considerada o padrão ouro para incontinência.
O esfíncter artificial é um dispositivo com um balão que vai ocluir a uretra.
Sling
A colocação do sling uretral é um método minimamente invasivo, mais indicado para incontinência leve e moderada. Consiste em introduzir uma fita sintética ou biológica abaixo da uretra, que reforça a sustentação da estrutura urinária, com o objetivo de reduzir a perda de urina.
Como prevenir o câncer de próstata?
Mas, antes que um homem precise falar de tratamento da incontinência após uma intercorrência cirúrgica é preciso também buscar a prevenção do câncer de próstata ou mesmo o agravamento desta patologia.
A hereditariedade e a idade são fatores de risco para o surgimento do câncer de próstata, portanto, mais uma vez vamos ressaltar que é muito importante que os homens passem a frequentar os consultórios dos urologistas a partir dos 40 anos, para fazer os exames clínicos, laboratoriais e endoscópicos, que são preventivos e necessários.
Além disso, o risco dessa doença também aumenta com o excesso de gordura corporal. Assim, manter hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos e uma alimentação balanceada, para manter o peso ideal, são fatores de prevenção. E mais um conselho importante: pare de fumar, porque esse também é um grande fator de risco para a doença.
A principal mensagem desse texto é: homens, cuidem-se!