Existe uma crença que enquanto os ginecologistas são médicos apenas de mulheres, os urologistas são responsáveis apenas pelo cuidado com os homens. Isso não é verdade, dentro dessa especialidade há a urologia feminina, porque o urologista é quem cuida do trato urinário das pessoas em geral.
Veja nesse texto quando as mulheres devem procurar esse especialista em urologia feminina.
O que é urologia feminina?
Em qualquer fase da vida, as mulheres podem sofrer com problemas urinários, especialmente em etapas como a da gravidez e do parto, mas a partir de uma certa idade essas doenças podem se intensificar, exigindo tratamento especializado.
Apesar de terem o hábito de ir com muita mais frequência ao médico do que os homens, nem sempre as mulheres sabem qual é a especialidade que vai cuidar dessas doenças do trato urinário. É a partir de uma consulta com um urologista que esses problemas começam a ser tratados.
Como dito acima, a urologia feminina é uma subespecialidade da urologia, que trata das doenças urológicas femininas, como prolapso vaginal ou útero caído.
Além disso, muitas doenças do trato urinário (rins, bexiga, ureteres e uretra) que acometem homens também vão ocorrer com mulheres, como cálculo renal, incontinência urinária, bexiga hiperativa ou câncer do sistema urinário.
Também existe uma doença muito comum do trato urinário que atinge ambos os sexos, mas é muito mais recorrente na mulher, que é a infecção urinária (cistite).
Nestas doenças urológicas, alguns sintomas podem ser dor na bexiga ou lombar, dor ou ardência ao urinar, escapes urinários, idas frequentes ao banheiro para urinar de dia ou de noite, sangue na urina, sensação de plenitude na vagina e até sentir algo saindo do seu órgão genital.
Algumas doenças urinárias não tratadas adequadamente podem evoluir para quadros mais graves, por exemplo, como a cistite, que poderá se transformar em uma pielonefrite, que coloca o funcionamento dos rins em risco e até pode se tornar fatal.
Conheça mais sobre algumas doenças que levam à necessidade de buscar a urologia feminina:
Cistite (infecção urinária)
A cistite é uma doença do trato urinário que é mais conhecida como infecção urinária, provocada por micro-organismos como bactérias e até fungos. Nas mulheres é mais comum que nos homens, principalmente devido às questões anatômicas femininas, em função da formação do órgão genital e urinário.
Os sintomas são dor e ardência ao urinar, vontade frequente de urinar, diminuição do fluxo urinário, sangue na urina, urina turva, odor forte na urina e febre.
Cistite Intersticial
Conhecida como síndrome da bexiga dolorosa, a cistite intersticial é uma doença crônica provocada pela inflamação não infecciosa da bexiga. Provoca dor na região pélvica, dor durante as relações sexuais e aumento na frequência urinária.
Em alguns casos, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica.
Incontinência urinária
Esse problema urológico é caracterizado por qualquer perda involuntária de urina, independentemente da quantidade. O distúrbio costuma afetar de três a quatro vezes mais as mulheres do que os homens e piora com o envelhecimento.
Pode ocorrer incontinência urinária por esforço, que ocorre devido a uma incompetência do esfíncter (músculo responsável pela continência) de resistir ao aumento da pressão abdominal / vesical.
Pode ocorrer também a perda de urina por urgência devido à bexiga hiperativa.
Muitas mulheres podem manifestar os dois problemas urológicos ao mesmo tempo, que é denominada incontinência urinária mista.
Saiba mais sobre incontinência urinária:
Bexiga hiperativa
Essa doença é causada por uma ineficiência no funcionamento da bexiga ou por comprometimento da comunicação entre o trato urinário inferior e o sistema nervoso central, ou seja, por uma disfunção no trato urinário, que promove uma redução da capacidade de armazenamento da urina.
Essa doença pode estar associada à incontinência urinária também. Entre os sintomas estão uma necessidade urgente e incontrolável de urinar, aumento muito grande da frequência miccional e escapes urinários.
Prolapsos genitais
Segundo estudos médicos, os prolapsos genitais podem atingir até 30% das mulheres entre acima de 50 anos.
Entre os problemas urológicos femininos, esses prolapsos vão ocorrer quando, por diversos motivos, as estruturas do assoalho pélvico perdem a capacidade de sustentar os órgãos que ficam na região, podendo acometer útero, uretra, bexiga, intestino delgado e reto.
Os sintomas serão sensação de pressão pélvica, dificuldade de esvaziar a bexiga completamente, incontinência urinária, dores em relações sexuais, dificuldades para evacuar ou sensação de algo saindo do órgão genital, como uma bola na vagina.

Cálculo renal (pedra nos rins)
É um distúrbio muito frequente provocado pela formação de substâncias minerais dentro dos rins, que se juntam e formam uma pedra, que vai provocar uma dor intensa quando se desloca, além de poder se desdobrar em problemas mais graves, como obstrução do trato urinário, como a hidronefrose, que se não tratada (muitas vezes, por via cirúrgica) pode levar à insuficiência renal.
Os sintomas são uma dor extremamente forte, náuseas, vômitos, dificuldade de urinar, sangue na urina e, às vezes, febre.
Câncer do sistema urinário
Tumores podem acometer a bexiga e rins das mulheres. Alguns sintomas também vão se assemelhar a outros problemas urinários como incontinência urinária, sangue na urina, ardência e dor ao urinar, dor nas costas e até aumento do abdômen.
O que o urologista faz na primeira consulta feminina?
A primeira medida que o médico urologista vai tomar é ouvir o relato dos sintomas da paciente para começar a formar um diagnóstico, tendo ideia de quais problemas urológicos femininos podem estar se apresentando.
Em alguns casos, os urologistas também podem realizar um exame genital, com uso de espéculo, para verificar a possibilidade dos prolapsos, além de solicitar testes de esforço para avaliar a força da musculatura da vagina e outros órgãos pélvicos.
Para afinar o diagnóstico, o médico também irá pedir exames de urologia feminina, que podem ser ultrassonografia, cistoscopia, exame urodinâmico e de medida do resíduo miccional, ou até mesmo o mais simples, que é o exame de urina.
Tratamento dos problemas de urologia feminina
Após realizados todos os exames urológicos femininos, o tratamento dessas doenças pode ser medicamentoso, com indicação de fisioterapia urológica feminina ou até intervenções cirúrgicas.
Ainda que não seja necessário uma cirurgia urológica feminina, importante é que as mulheres não deixem de frequentar o urologista, especialmente aquelas que têm problemas recorrentes de infecção urinária ou cálculos renais.
Casos assim exigem uma necessidade muito maior da realização de um constante acompanhamento com associação de exame urológico feminino.
Por isso, assim como existe uma consciência já sedimentada da busca de um ginecologista pelas mulheres desde a puberdade, também é necessário que elas percebam a importância da urologia feminina.
Conclusão
Agora que sabe que existe urologia feminina, não deixe de buscar o especialista se perceber que está apresentando problemas no trato urinário.
Manter o hábito de frequentar o urologista com regularidade vai evitar alguns problemas e permitir o tratamento dos desconfortos que prejudicam a sua qualidade de vida e colocam a sua saúde em grave risco.
Vale dizer também que as mulheres precisam adotar hábitos saudáveis de vida, como a ingestão de uma quantidade diária adequada de líquidos (1,5 a 2 litros), alimentação balanceada e prática de exercícios físicos.