Sabia que segurar xixi pode trazer diversos problemas de saúde?
Essa é uma prática que muitas pessoas têm no dia a dia e nem sabem que podem estar favorecendo o surgimento de problemas no sistema urinário. Leia sobre esse tema neste post.
Qual é a capacidade da bexiga?
É comum que na correria do dia a dia muitas pessoas não urinem na hora que sentem vontade, e acabam segurando até o momento que não aguentam mais. Porém, é importante saber que segurar xixi faz mal e pode trazer diversos problemas.
Mas, antes de explicar os riscos dessa prática, é preciso entender qual é a capacidade da bexiga e como ela funciona.
A bexiga é um órgão oco do sistema urinário, no formato de pera, que tem como principal função armazenar a urina, que é um resíduo dos líquidos do corpo e do sangue filtrados pelos rins. Composta por paredes musculares, embora seja um órgão flexível, tem uma capacidade limitada, que gira em torno de 500 ml para os adultos.
Geralmente, a partir de 250 ml de urina, já surge a vontade de fazer xixi, e quando a bexiga está completamente cheia, a pessoa pode começar a se sentir desconfortável.
Quando uma pessoa está pronta para urinar, começa um grande processo de coordenação muscular: o cérebro envia uma mensagem para a medula espinhal, orientando que a parede da bexiga se aperte e o esfíncter relaxe e se abra para o líquido ser eliminado.
A necessidade de urinar é muito individual, mas, no geral, as pessoas sentem vontade de fazer xixi de 4 a 7 vezes por dia. Assim, é correto dizer que os intervalos para a ida ao banheiro podem variar entre 3 e 4 horas.
Tudo isso vai depender da quantidade de líquidos que a pessoa costuma ingerir, idade, prática de exercícios físicos e até se portam doenças cardiovasculares, que costumam reter líquidos.
Quando as pessoas bebem muitos líquidos em um curto espaço de tempo ou ingerem bebidas que contenham cafeína, que irritam a bexiga, podem sentir vontade de urinar em menos tempo.
O que acontece se segurar o xixi?
Quando o sistema urinário está saudável, a urina é um subproduto estéril, ou seja, sem doenças, mas ao segurar xixi por muito tempo, além de fazer com que a bexiga se expanda além da sua capacidade, a pessoa pode favorecer que certas patologias se instalem no sistema urinário.
Além disso, quando a pessoa já tem problemas como aumento da próstata, retenção urinária, bexiga neurogênica ou distúrbios renais, essa prática é potencialmente mais perigosa.
Evidentemente que segurar xixi por algumas vezes quando a bexiga está cheia não trará problemas, mas se a pessoa desenvolver o hábito de segurar a urina por um longo tempo todas as vezes que sente vontade, vai favorecer o surgimento de alguns problemas urinários.
Confira alguns abaixo:
Dor
Ao segurar xixi, um dos primeiros sintomas que o paciente pode ter é dor na bexiga ou nos rins.
Quando segura a urina por muito tempo, os músculos da parede da bexiga continuam contraídos até mesmo após a liberação do líquido, o que pode levar às cãibras pélvicas.
O tratamento pode envolver uso de medicações anti-inflamatórias e analgésicas.
Cistite
Urinar é um ato de defesa do organismo, porque limpa o canal urinário, eliminando a maioria das bactérias que possam ter entrado na uretra e na bexiga.
Ao segurar o xixi por muito tempo, a pessoa pode favorecer a colonização de bactérias no trato urinário inferior, causando uma infecção da bexiga, conhecida como cistite.
Além disso, as pessoas que não tomam água suficiente também ficam mais propensas a desenvolver infecções do trato urinário, porque a bexiga não “informa” ao corpo a quantidade de vezes correta para fazer xixi ao longo do dia.
Quando alguém está com infecção urinária pode ter sintomas como:
- Dor no abdômen inferior;
- Ardência durante a micção;
- Cheiro forte ou fétido na urina;
- Urina turva e mais escura;
- Sentir vontade de ir ao banheiro várias vezes, mas eliminar pouca urina;
- Sangue na urina, etc.
Para o tratamento das infecções do trato urinário, o médico vai indicar antibióticos, e sempre recomendar que o paciente procure não segurar o xixi e melhorar a sua ingestão de líquidos.
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Incontinência urinária
Ao segurar xixi frequentemente e por muito tempo, a pessoa pode causar prejuízos à musculatura do assoalho pélvico, onde também fica o esfíncter uretral.
Esse esfíncter é responsável por manter o canal fechado para que não ocorra escape de urina. Quando essa estrutura é danificada, o paciente vai passar a sofrer incontinência urinária. Neste caso, a pessoa não consegue segurar o xixi e acaba sofrendo vários escapes urinários, prejudicando a sua vida social e até profissional.
Quem passa a sofrer de incontinência urinária pode buscar tratamento com exercícios fisioterápicos, terapia comportamental, medicamentos, botox e até cirurgias.
Alongamento da bexiga
Segurar a urina constantemente pode fazer com que a bexiga fique superestendida ou esticada, o que vai afetar o tônus muscular do órgão, ou seja, a bexiga pode ficar flácida e, então, a pessoa não consegue esvaziar a urina complemente.
Em alguns casos, quando isso ocorre, pode ser necessário tratamento com medicações, botox, cirurgia para reduzir a pressão no esfíncter ou colocação de stent garantindo uma passagem mais aberta para a urina.
Cálculos renais
Pessoas que têm alto teor de sais na urina podem ficar propensas ao desenvolvimento de cálculos renais quando seguram muito o xixi.
Esse problema é muito desconfortável, porque o deslocamento das pedras nos rins causa uma cólica que beira o insuportável.
Depois que o cálculo já está formado, o urologista pode promover diversas abordagens terapêuticas, desde a prescrição de medicações analgésicas e aguardar que a pedra seja expelida naturalmente.
Se os cálculos são maiores do que 0,5 mm podem ser realizados processos cirúrgicos, que tanto pode ser uma ureterorrenolitotripsia, que prevê a eliminação das pedras com laser e colocação de cateter Duplo J, ou até mesmo a explosão extracorpórea das pedras, conhecida como litotripsia.
Conclusão
É muito importante que os pacientes tenham a consciência que segurar o xixi faz mal e pode trazer prejuízos à saúde.
O ideal é que as pessoas adotem um comportamento preventivo em relação aos problemas urinários, que podem surgir até mesmo com o passar dos anos.
Assim, ao passar em consultas com o urologista regularmente, podem contar com uma avaliação de todo o sistema urinário, por meio de exames físicos, laboratoriais e de imagem.