O refluxo vesicoureteral é uma disfunção que pode atingir adultos e crianças, e pode sim ser a origem das infecções urinárias em certos pacientes.
Veja nesse texto o que é essa disfunção, sintomas e formas de tratamento.
O que é refluxo vesicoureteral?
O refluxo vesicoureteral trata-se de uma alteração do sistema urinário que provoca um fluxo anormal de urina que vai de volta da bexiga para os ureteres.
Na condição normal, o sistema urinário (composto por rins, ureteres, bexiga e uretra) funciona como uma espécie de drenagem do corpo, portanto, o certo é a urina fluir dos rins passando pelos ureteres e chegar à bexiga para ser eliminada através da uretra.
Em geral, o fluxo unidirecional da urina é mantido por válvulas que ficam onde os ureteres se unem à bexiga, mas o que provoca o refluxo vesicoureteral é uma falha no funcionamento dessas válvulas.
Há casos em que o refluxo vesicoureteral atinge apenas um ureter (unilateral), mas também pode envolver os dois ureteres (bilateral).
Quando ocorre esse fluxo ao contrário, o surgimento da infecção urinária é favorecido, e ainda pode ocasionar sérios riscos aos rins, porque devido a essa disfunção, bactérias da bexiga podem chegar ao órgão renal.
Quem pode ter refluxo vesicoureteral?
O refluxo vesicoureteral afeta especialmente recém-nascidos (cerca de 1% a 3%) e bebês acima dessa idade e crianças com menos de 2 anos, porém, mais raramente, também pode atingir os adultos.
Em geral, os médicos suspeitam desta disfunção em bebês ou crianças quando surge o quadro de infecção urinária recorrente, por isso, os principais sintomas do refluxo vesicoureteral são: necessidade frequente de urinar, dor na bexiga ou ardência durante a micção, diminuição da quantidade de urina e sensação de peso na bexiga.
Quando chega a se transformar em uma infecção renal também surgem sintomas como: dor abdominal ou na parte inferior das costas, mal-estar geral, náuseas, vômitos e febre alta.
Quais são os tipos de refluxo vesicoureteral?
Essa disfunção pode ter origem primária ou secundária:
- Primária: surge com alterações congênitas na formação que levam ao refluxo urinário. Por isso, é mais comum diagnosticar o refluxo vesicoureteral em bebês. Na fase de recém-nascidos, os meninos são mais atingidos; depois desse período, acomete mais as meninas. Quando as crianças crescem, os ureteres se alongam e acabam se corrigindo sozinhos na maioria das vezes. É uma condição que tende a ocorrer por predisposição genética.
- Secundário: é ocasionado por fatores que levam a uma alta pressão intravesical, que vão levar, por exemplo, a uma incapacidade da bexiga de se esvaziar completamente, devido a uma incoordenação entre a bexiga e o esfíncter urinário ou ainda por danos causados aos nervos que controlam esse esvaziamento do órgão (bexiga neurogênica). Crianças que têm esse tipo de disfunção urinária costumam ter os dois ureteres afetados.

Refluxo vesico ureteral: graus
Esse problema pode ser manifestado em graus, que vão do I ao V, que estão em ordem crescente de gravidade:
- Grau I: o retorno da urina é até o ureter;
- Grau II: o refluxo é até o rim sem dilatação dos ureteres, pelve renal e cálices;
- Grau III: refluxo até o rim, com discreta dilatação dos ureteres, pelve renal e cálices;
- Grau IV: refluxo até o rim, com dilatação e curvatura do ureter, pelve e cálices renais moderadamente dilatados;
- Grau V: grande dilatação e tortuosidade do ureter e da pelve renal, e cálices com possíveis perdas funcionais.
Quanto mais grave o refluxo, mais complicações de saúde podem causar, como cicatrizes permanentes no tecido renal, aumento da pressão arterial e falência renal.
Como diagnosticar e tratar o refluxo vesicoureteral?
Os sintomas frequentes vão levar o urologista a suspeitar de um refluxo urinário, e os exames de imagem serão importantes ferramentas para fechar esse diagnóstico.
Para chegar a uma conclusão, o médico poderá pedir ultrassonografia de rins e bexiga e uma cistouretrografia miccional (VCUG), que é uma radiografia especializada do trato urinário.
Esse exame, que envolve a colocação de um cateter na uretra com injeção de contraste, é realizado com a bexiga cheia para detectar anormalidades.
Com esses testes é possível avaliar o grau do refluxo vesicoureteral, e o tratamento vai depender da gravidade da disfunção.
Se esse problema já se manifesta na infância, será realizado um acompanhamento médico durante um certo período para investigar se houve uma correção do problema de forma natural, o que pode ocorrer por volta dos 5 ou 6 anos de idade da criança.
Em geral, quando o problema está em estágios iniciais, como o I, o tratamento consiste no uso de antibióticos para evitar que a infecção atinja os rins.
Porém, se começa a prejudicar os órgãos, é necessária uma cirurgia para correção de refluxo vesicoureteral.
Essa cirurgia vai envolver o reparo do defeito na válvula entre a bexiga e ureteres.
Para realizar a correção do refluxo vesicoureteral, a cirurgia pode ser realizada de forma aberta, laparoscópica ou endoscópica.
Conclusão
O refluxo vesicoureteral exige um acompanhamento médico mais próximo, porque as soluções não são generalizadas, cada paciente vai exigir um tipo de monitoramento e planejamento terapêutico.
Mesmo após realizada a cirurgia, é preciso também um acompanhamento e controle com exames para saber se a cirurgia foi bem-sucedida.