A prostatectomia robótica tem sido um dos procedimentos que mais vem ganhando adesão de equipes médicas devido aos benefícios que proporcionam para o resultado do tratamento. Nos EUA, 90% das cirurgias de prostatectomia são realizadas pela técnica robótica.
Leia neste texto mais sobre prostatectomia, o que é, para o que serve a abordagem robótica e suas vantagens para os pacientes.
O que é prostatectomia?
A prostatectomia é o procedimento que promove a retirada parcial ou total desta glândula do sistema reprodutor masculino, que é responsável por produzir um líquido que enriquece o sêmen.
Ao longo da vida, a próstata pode sofrer com algumas condições que estão relacionadas ao envelhecimento, hereditariedade, doenças associadas e até hábitos de vida.
São duas as principais condições que exigem a retirada da próstata: hiperplasia prostática benigna ou câncer de próstata.
HPB
A remoção parcial é indicada para homens que têm hiperplasia próstata benigna.
Quando um homem está com a próstata aumentada, a glândula pressiona a uretra e ele sofre com diversos desconfortos relacionados ao comportamento miccional. Além disso, essa condição pode levar a problemas mais sérios, como obstrução urinária, que traz riscos aos rins.
Neste caso, o procedimento é denominado de prostatectomia simples ou adenomectomia da próstata, na qual é realizada uma remoção parcial do tecido, no qual é extraído apenas o adenoma, que é a região que cresceu na próstata, mas a cápsula prostática é preservada.
Câncer de próstata
No caso do câncer de próstata, o tratamento é imprescindível porque esse é o segundo tipo de câncer mais incidente nos homens e a segunda causa de morte na população masculina. Uma das soluções para essa condição é a retirada da próstata.
Quando essa extração da glândula é total, o procedimento é conhecido como prostatectomia radical, incluindo a remoção também das estruturas do entorno, como as vesículas seminais, que são armazenadoras do esperma.
Essa remoção total pode ocorrer em estágios iniciais da doença, quando o tumor está confinado à glândula. Dessa forma, impede-se que as células cancerosas que estão na próstata avancem para outros tecidos.
Tipos de prostatectomia
Existem diversas abordagens que permitem essa remoção da glândula, como as técnicas abertas, laparoscópicas e robóticas.
Prostatectomia transvesical
Esse tipo de retirada da glândula se dá com uma incisão através da bexiga para se chegar à próstata. Pode ser realizada por via laparoscópica ou robótica.
Prostatectomia laparoscópica
O acesso à próstata é realizado através de pequenos cortes na pele do paciente, é um procedimento minimamente invasivo. A próstata é visualizada com auxílio de câmera na ponta do laparoscópio.
Prostatectomia aberta
Esse tipo de prostatectomia é realizada com uma incisão que vai do umbigo até o púbis. Pode servir tanto para a prostatectomia radical ou simples. Porém, tem sido cada vez menos utilizada porque é quando o paciente corre mais riscos de sangramentos, infecções e desconforto grande no pós-operatório.
O que é prostatectomia radical robótica? Quais os benefícios?
A partir do avanço tecnológico, surgiu a cirurgia robótica, que foi desenvolvida especialmente para o tratamento do câncer de próstata, mas com o tempo passou a ser utilizada também em outros tipos de cirurgias delicadas.
Para a realização da cirurgia robótica, foi desenvolvido o sistema cirúrgico da Vinci®.
Assim, a prostatectomia radical robótica permite que a equipe cirúrgica faça o procedimento com incisões mínimas, ou seja, minimamente invasivas, e tenha uma ampla visão da área do campo operatório, por meio de monitores, que garantem visão 3D de alta definição.
Com essa visão tridimensional e ampliada, o cirurgião consegue enxergar melhor as estruturas ao redor da próstata, como músculos, nervos e vasos sanguíneos.
Esse sistema é composto de 3 estruturas:
- Braços robóticos: são os componentes executores do robô da Vinci®. São quatro braços que ficam posicionados ao lado do paciente. Foram projetados para ter 7 graus de movimento e grande amplitude, podendo inclinar e dobrar, ultrapassando a capacidade das próprios punhos humanos;
- Console: os médicos utilizam esse equipamento para orientar os movimentos dos braços robóticos no procedimento cirúrgico;
- Monitores: processam as imagens dentro do organismo do paciente com alta resolução, permitindo um amplo campo de visão.
Um cirurgião auxiliar fica ao lado do paciente e o cirurgião principal fica próximo, visualizando a área operatória pelo monitor e manipulando o console que movimenta os braços robóticos. A cirurgia pode levar de 2 a 4 horas.
Mesmo a cirurgia sendo robótica, o paciente sairá do procedimento usando uma sonda, que passa pela uretra e serve como uma espécie de molde para cicatrização. O tempo de uso é de cerca de 5 a 7 dias.
As vantagens da prostatectomia total com o sistema robótico são inúmeras e, por isso, vem ganhando a preferência de equipes médicas no mundo inteiro.
Principais benefícios da prostatectomia robótica
- É menos invasiva;
- Incisões milimétricas e precisas;
- Cirurgiões ficam livres de tremores que podem ocorrer nas mãos humanas;
- Manobras cirúrgicas mais amplas e flexíveis, alcançado posições e localidades muito pequenas e estreitas do corpo, que seriam difíceis para a mão humana;
- Precisão nos cortes e na retirada dos tecidos;
- Menos dor;
- Menos sangramento;
- Menor necessidade de transfusão;
- Menos riscos de infecção;
- Sistema robótico facilita procedimento em pacientes com obesidade;
- Tempo de recuperação menor no pós-cirúrgico;
- Retorno mais rápido para as atividades do paciente.

Como ter uma recuperação ainda melhor após a prostatectomia?
Quando um homem passa pela prostatectomia robótica devido a um câncer, o sucesso do tratamento depende também de alguns fatores, como:
- Agressividade do tumor;
- Experiência do cirurgião;
- Bom pré-operatório;
- Saúde do paciente em geral.
Outro detalhe é que a recuperação poderá ser muito melhor se o paciente seguir todas as instruções para o pós-operatório, inclusive durante a internação hospitalar, que varia de 24 a 48 horas.
A primeira medida é manter a sonda pelo período indicado pelo médico e trocar os curativos. Logo após a cirurgia, a dieta será leve.
Já em casa, o paciente deve fazer repouso, mas não ficar deitado ou sentado por um tempo prolongado. As caminhadas leves e diárias são aconselhadas. Subir escadas vagarosamente também é permitido.
Exercícios que envolvam pegar pesos acima de 5 quilos ou natação, ciclismo e corrida não devem ser praticados antes de 4 semanas. Após esse período, a intensidade das atividades podem ser aumentadas gradativamente.
Riscos da cirurgia de prostatectomia robótica
Todas as cirurgias pressupõem riscos, como os de sangramento, infecções e danos em estruturas subjacentes. Porém, com a abordagem robótica esses riscos são menores.
Existem duas condições que podem ser desenvolvidas após uma prostatectomia: disfunção erétil e incontinência urinária. Ambas estão relacionadas com a lesão de alguns nervos.
A incontinência urinária pode ocorrer porque as incisões da prostatectomia pode prejudicar os esfíncter (músculo responsável pela continência) ou os nervos que ajudam a controlar o funcionamento da bexiga, quando o câncer está mais aprofundado e exige que o cirurgião remova mais tecidos.
Com a abordagem robótica esses riscos desses efeitos colaterais continuam, porém, podem ser bem menores, especialmente a partir da experiência do cirurgião com esse equipamento e a ampliação da visão do campo operatório e a desenvoltura dos braços robóticos, que auxiliam na preservação dos feixes nervosos e esfíncter urinário.
Estudos e depoimentos de homens que fizeram prostatectomia radical robótica revelam que a incontinência urinária tende a ser temporária e tem recuperação mais rápida da funcionalidade muscular em comparação com a técnica aberta.
Além disso, o homem também pode realizar procedimentos de reabilitação peniana para acelerar a retomada da função erétil, caso seja deflagrada essa disfunção sexual.
Conclusão
Seja indicada para o tratamento da HPB ou o câncer de próstata, a prostatectomia robótica tornou o procedimento cirúrgico mais tolerável, seguro e eficaz.
Devido à precisão e flexibilidade proporcionada pelos equipamentos, o procedimento já está se tornando o padrão outro dos tratamentos relacionados à próstata, especialmente quando a neoplasia está em estágio inicial.
No entanto, o principal aconselhamento é que o paciente procure um cirurgião urologista que inspire sua confiança e tenha expertise neste procedimento para potencializar suas chances de sucesso no tratamento.