Prolapso vaginal ou prolapso genital é um problema que afeta muitas mulheres acima de 40 anos, mas pode ocorrer também antes desta fase.
Essa é uma condição que traz uma série de desconfortos para a mulher, porém, veja neste post que existe tratamento para o problema.
O que é prolapso vaginal? O que causa?
Um artigo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia revelou que o prolapso de vagina é um problema no assoalho pélvico que pode atingir até 30% das mulheres entre 50 e 89 anos. Está entre alguns dos problemas que podem surgir a partir dessa idade, assim como a bexiga hiperativa.
No entanto, fica difícil definir uma estatística exata do problema no país porque muitas mulheres escondem a própria condição por se sentirem constrangidas. Algumas podem até desenvolver distúrbios psicológicos devido a esse problema.
Mas, como ocorre esse problema uroginecológico feminino?
O assoalho pélvico é formado por músculos, tecido conjuntivo, colágeno e fáscia, que sustenta diversos órgãos internos. O prolapso vaginal ocorre quando, por diversos motivos, essas estruturas perdem a capacidade de sustentar os órgãos da pelve feminina.
O prolapso pode ocorrer porque existe uma abertura na musculatura do assoalho pélvico, conhecida como hiato urogenital, por onde atravessam estruturas como a uretra, vagina e o reto. Formando um ponto de fragilidade no local.
Essa fragilidade, associada a uma série de fatores de risco, pode fazer com que órgãos da cavidade pélvica feminina como útero, uretra, bexiga, intestino delgado e reto, percam sustentação e se insinuem para a cavidade vaginal.

Fatores de risco do prolapso da parede vaginal anterior e posterior
A avaliação do assoalho pélvico feminino é sempre um ponto a ser observado em um exame uroginecológico, especialmente quando no histórico familiar e médico individual da paciente existem os fatores abaixo, que podem levar ao risco da descida de vários órgãos presentes na cavidade pélvica:
Genética
Algumas mulheres já carregam a herança genética de ter um tecido conjuntivo mais enfraquecido na região pélvica.
Partos e gravidez
Durante a gravidez, o trabalho de parto e o parto em si, principalmente, partos vaginais, sabe-se que a compressão do assoalho pélvico pelo feto e a força para o parto pode lesar a musculatura, os ligamentos, bem como comprometer a inervação, seja por lesão direta ou por distensão/ estirament. Isso tudo pode prejudicar o tônus da musculatura levando a um alargamento do hiato urogenital, sobrecarregando as estruturas e predispondo ao prolapso.
Obesidade
O peso corporal acima do ideal da mulher também vai gerar mais pressão sob o assoalho pélvico.
Histerectomia
O prolapso ocorre mais comumente em cirurgias abdominais de histerectomia do que nas intravaginais.
A retirada do útero pode aumentar o risco de prolapso, principalmente, no caso de histerectomias totais, onde são retirados também ligamentos que auxiliam a sustentação dos órgãos pélvicos, sobrecarregando outras estruturas.
Outros fatores de risco
Alguns outros fatores também poderão levar as mulheres a correrem o risco de um prolapso vaginal:
- Menopausa;
- Idade avançada;
- Parto vaginal;
- Criança macrossômica (bebês que nascem com peso igual ou superior a 4 quilos);
- Constipação intestinal;
- Situações que elevam a pressão abdominal de maneira recorrente como tosse crônica (tabagismo leva à tosse crônica) ou mesmo certos tipos de trabalhos que exigem muito esforço físico.
Sintomas do prolapso vaginal
Os sintomas do prolapso são manifestados de acordo com o órgão afetado na mulher, mas costumam ser muito típicos, por exemplo, a principal queixa é “sensação de peso ou bola na vagina”.
Especialmente quando a pessoa está fazendo atividades físicas, tossindo ou carregando pesos esses sintomas aumentam, mas quando fica em repouso e mais relaxada, as sensações podem melhorar.

Diferentes tipos de prolapso vaginal
São diferentes tipos de prolapsos vaginais e são caracterizados de acordo com o órgão que foi atingido. Além disso, as mulheres podem ter mais de um tipo ao mesmo tempo. São eles:
Prolapso de cúpula vaginal
A cúpula é o fundo da vagina, e essa cavidade pode descer após a histerectomia (retirada do útero).
Isso ocorre porque quando se faz a retirada do útero, os ligamentos que promovem a sustentação são cortados, o que facilita que o fundo da vagina desça, especialmente em mulheres que têm os fatores de risco mencionados acima ou quando a histerectomia já foi realizada devido a um prolapso uterino.
Prolapso útero vaginal ou prolapso uterino
Quando pode-se notar a descida do útero em direção à vagina, em alguns casos, o órgão pode se insinuar para fora.
No prolapso uterino, tanto a cúpula da vagina quanto a parede anterior e posterior podem estar envolvidas.
Prolapso de bexiga (cistocele) ou da uretra (uretrocele)
Ocorre quando a bexiga e/ou uretra perdem sustentação provocando abaulamento na região da vagina. Portanto, no caso da cistocele, o quadro é conhecido como bexiga caída. Já no caso da uretrocele é a descida de membrana mucosa uretral através do meato urinário feminino.
Entre os sintomas da cistocele e da uretrocele, um dos mais frequentes é a incontinência urinária, quando está em estágios mais avançados, especialmente, quando a mulher projeta alguma pressão na bexiga.
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Prolapso posterior da vagina (retocele) ou de intestino delgado (enterocele)
Neste caso, é um prolapso no qual o intestino que provoca abaulamento da vagina.
A retocele atinge a região do septo retovaginal, localizado na parte posterior da vagina.
Já na enterocele, o intestino delgado se insinua para a cavidade vaginal, levando a um prolapso de parede posterior de vagina.
Além dos outros sintomas já mencionados do prolapso vaginal, quando a mulher sofre com retocele ou enterocele sente pressão na região vaginal e retal, ou necessidade de “reduzir” o prolapso digitalmente, para conseguir evacuar.

Graus do prolapso vaginal
O prolapso vaginal tem a sua gravidade classificada em níveis, de acordo com a classificação do Pelvic Organ Prolapse Quantification.
Nível 1: é o estágio inicial, quando percebe-se uma leve descida de órgão, mas ainda fica totalmente dentro da cavidade pélvica, em geral, o prolapso está 1 cm acima do hímen. Nesta fase, a paciente pode ser assintomática.
Nível 2: nesta fase, o prolapso na vagina está por volta de 1 cm abaixo do hímen.
Nível 3: neste estágio, a descida do órgão fica maior, mas ainda 2 cm mais curto que o comprimento vaginal total.
Nível 4: nesta fase, que é a mais grave, há um prolapso vaginal total, com todo o comprimento do órgão do lado de fora vagina, ou seja, em eversão completa.
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Diagnóstico do prolapso vaginal
O diagnóstico do problema será realizado a partir dos sintomas, histórico médico de cada mulher e exame pélvico, com uso de espéculo. O médico também poderá solicitar procedimentos para avaliar a força da musculatura da vagina, bexiga e outros órgãos pélvicos.
Alguns exames de imagem, como ultrassom, ressonância ou tomografia, também podem ser solicitados para refinar o diagnóstico e confirmar se há prolapso da cúpula vaginal, útero caído ou de outros órgãos.
Tratamento conservador
Não há tratamento clínico para esse problema, porém, é possível lançar mão de um tratamento conservador com uso de pessário vaginal, que é um dispositivo removível, que pode melhorar os sintomas do prolapso da cúpula vaginal ou de outros órgãos.
Esses pessários devem ter o tamanho adequado para cada paciente e podem ser manipulados pela própria paciente.
São indicados principalmente para as pacientes que, por algum motivo, não desejam ser submetidas a um procedimento cirúrgico, ou apresentam algum risco cardiovascular impeditivo para cirurgia.
Tratamento cirúrgico
O tratamento cirúrgico está indicado desde que a presença do prolapso esteja incomodando a paciente. Este é o único tratamento resolutivo para o quadro. São abordagens específicas como correção da falha no assoalho pélvico, com reconstrução das fáscias para levantar os órgãos como bexiga e intestinos e a reconstrução dos ligamentos.
A cirurgia de prolapso vaginal também pode ser realizada com telas. Desde que o prolapso esteja em um estágio mais avançado. As telas são utilizadas para garantir melhor sustentação e reduzem o risco de recorrência a níveis muito baixos.
As cirurgias podem ser realizadas por via abdominal, laparoscópica, robótica ou até mesmo por via vaginal.
Prevenção do prolapso vaginal
As mulheres que ainda não manifestaram sintomas do prolapso vaginal, mas tem fatores de risco para o surgimento do problema podem tomar algumas medidas preventivas importantes, como:
- Controle do sobrepeso/obesidade;
- Prevenir a constipação intestinal, comendo alimentos com muitas fibras e caprichando na hidratação;
- Fazer tratamento de tosses crônicas;
- Não fumar;
- Fazer exercícios de Kegel com regularidade para fortalecer o assoalho pélvico.
Conclusão
Um prolapso vaginal pode provocar uma grande queda na qualidade de vida de uma mulher, além dos sintomas já citados, ela também pode ter infecções urinárias de repetição, porque nunca conseguem esvaziar a bexiga completamente, e até mesmo passar a sofrer noctúria. Com o tempo, essa paciente poderá desenvolver uma certa fobia social.
Essas mulheres vão necessitar da ajuda de um urologista para esclarecer suas dúvidas, tratar esses problemas e voltar a ter uma vida livre de desconfortos.
A partir de certos procedimentos, o médico terá exatidão sobre qual estrutura está colapsada, fazer um planejamento terapêutico e indicar qual tipo de cirurgia é a mais adequada.