Embora seja uma patologia pouco frequente, o divertículo de uretra feminina pode ser o fator que detona infecções urinária, dificuldade de urinar (disúria) e dores em relações sexuais nas mulheres adultas.
Quer saber mais sobre esse problema urológico? Veja esse post até o final.
Divertículo de uretra feminina? O que é?
A uretra é o tubo por onde a urina passa para ser eliminada do corpo. Em uma condição bastante incomum, pode ser formado uma espécie de bolsa na parte externa estrutura em direção à parede vaginal anterior, que é denominado divertículo de uretra.
Os divertículos podem ter formatos saculares, em circunferência ou em U (ferradura).
Em geral, esse é um problema urológico que atinge mais as mulheres. Segundo sociedades médicas, essa situação pode acometer em torno de 5% das mulheres entre os 40 e 70 anos.
A causa exata do surgimento dessa condição ainda não foi totalmente esclarecida, mas possíveis causas subjacentes podem ser obstrução das glândulas periuretrais e infecções que podem enfraquecer a parede da uretra. Quando essas glândulas ficam obstruídas podem ser formados abcessos que, posteriormente, vão se romper, e no processo de cicatrização estimular o surgimento do divertículo.
Outras etiologias prováveis para a patologia são a iatrogênica, congênita ou traumática, provocada por uso prolongado de sondas uretrais, parto vaginal ou cirurgias prévias na uretra ou próximas a esse canal.
O divertículo de uretra feminina pode ser pequeno e assintomático, mas, de acordo com sua dimensão, pode trazer diversos desconfortos, como:
- Disúria (dor ao urinar);
- Bexiga hiperativa;
- Dor pélvica contínua;
- Corrimentos vaginais;
- Dor na relação sexual;
- Sangue na urina;
- Gotejamento (contínua perda de gotas de urina depois que acaba de urinar);
- Noctúria;
- Incontinência urinária.
Devido à localização, o divertículo uretral também pode favorecer as infecções urinárias constantes, e, ocasionalmente, provocar sintomas obstrutivos do trato urinário superior e até incapacidade de urinar.
Além disso, em alguns casos, algumas mulheres também podem relatar uma sensibilidade ou uma massa na parte frontal da vagina. Nestes casos, se o local sofrer uma leve pressão pode surgir pus e urina da abertura da uretra.
Todos os sintomas do divertículo de uretra feminina podem ir e vir repentinamente. Além disso, 20% das pacientes não manifestam sintomas.
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Como diagnosticar um divertículo de uretra feminina?
O diagnóstico precoce deste problema urológico é muito importante porque pode levar à formação de cálculos uretrais e infecções crônicas, impactando a qualidade de vida da paciente. Além disso, de forma bastante rara, sabe-se que o divertículo pode ter malignidade em seu interior.
Quando a paciente chega ao consultório com as queixas que fazem parte da sintomática desse problema urológico, o especialista vai realizar:
- Exame físico (que envolve a palpação do divertículo uretral e apertar levemente para extrair o pus ou urina);
- Investigação do histórico médico da paciente;
- Estudos urodinâmicos que vão medir a função do trato urinário inferior;
- Exames diretamente da bexiga e da urina (com técnicas endoscópicas).
No entanto, o divertículo uretral feminino nem sempre foi corretamente diagnosticado, portanto, a detecção podia acontecer tardiamente. Já em outros casos, as pacientes tiveram o divertículo uretral feminino descoberto durante um exame de imagem de rotina, como uma ultrassonografia.
Para um diagnóstico preciso, a ressonância magnética também é um recurso importante na investigação do quadro.
Como tratar o divertículo uretral?
Em geral, a cirurgia é a melhor forma de tratamento para o divertículo de uretra feminina, mas alguns casos, que não são caracterizados por uma sintomática incômoda ou provocam impactos na atividade laboral ou social da paciente, podem demandar apenas um acompanhamento médico para monitorar se houve evolução do quadro.
Essa cirurgia costuma ser por via vaginal e exige a atuação de um especialista, que tenha profundo conhecimento da anatomia local e expertise para não danificar a uretra durante o procedimento, causando problemas para a continência urinária.
Em geral, o cirurgião irá remover o divertículo, no entanto, a depender do tamanho e da localização da bolsa, ele poderá optar por cortar uma parte da estrutura ou criar uma abertura para a vagina para drenar o conteúdo. Mas, em algumas situações, ainda que raras, a paciente poderá continuar com os problemas, caso a estrutura não seja completamente removida ou bem selada.
Quando a paciente realiza essa cirurgia, podem ser corrigidos também problemas anatômicos que provocam a incontinência urinária.
Após a cirurgia, a paciente poderá sair do centro cirúrgico com um cateter que vai ajudá-la a esvaziar a bexiga por duas ou três semanas.
Conclusão
O divertículo de uretra feminina pode ser confundido com outras causas que vão provocar distúrbios na uretra.
Em diversos casos nos quais as pacientes não tiveram o diagnóstico correto, ficaram sendo tratadas durante anos como se portassem patologias que apresentam sintomas semelhantes, como endometriose, cistite intersticial, síndrome pélvica, entre outros problemas, sem, no entanto, perceber qualquer resultado eficaz.
Por isso, é mais do que necessário a paciente procurar um especialista em urologia feminina.