“Dr., sinto uma bola na vagina!”. É bastante comum no consultório de um ginecologista ou de um urologista ouvir essa queixa de mulheres acima de 50 anos. Esse é um dos sintomas clássicos do prolapso vaginal ou distopia genital.
Veja neste post o que é, as causas e como tratar o problema.
O que pode ser uma bola na vagina?
Se a paciente sente uma bola no órgão genital, esse problema pode não se tratar apenas de um “caroço” na vagina em sua área externa, que é a vulva, mas de uma bola interna, que às vezes pode ser sentida, e em outras vezes, pode até ser vista pela mulher quando observa o próprio órgão genital com espelhos.
Ao relatar essa sensação ou até mesmo ter a visão de uma “bola de carne” na entrada da vagina, as mulheres estão se referindo ao órgão sexual feminino interno, que é um canal muscular que leva ao colo do útero.

No entorno da vagina ficam órgãos do assoalho pélvico como útero, bexiga, uretra, intestino delgado e reto, que são sustentados por uma verdadeira rede, composta por músculos, tecido conjuntivo, colágeno e fáscias.
Quando esses tecidos do assoalho pélvico perdem a capacidade de sustentar os órgãos dessa região, ocorre o prolapso vaginal, que é a descida desses órgãos em direção ao canal da vagina.
É assim que surge essa sensação de bola dura na vagina, que é uma característica da projeção de um desses órgãos em direção ao canal vaginal. Por isso, essa condição também é conhecida popularmente como útero caído ou bexiga caída. Em alguns casos, as mulheres podem ter mais que um tipo de prolapso.
Esse problema pode acometer até 30% das mulheres entre 50 e 89 anos. É uma condição bastante desconfortável e que causa um grande prejuízo à autoestima, vida social e profissional de uma mulher.

Quais são as causas que levam ao problema?
A queda dos órgãos internos do assoalho pélvico, que levam a essa sensação de bola interna na vagina, são provocados, em geral, por questões genéticas ou por um maior número de partos naturais e instrumentais.
Porém, há outras causas que também podem ocasionar esse problema feminino:
- Idade avançada;
- Menopausa;
- Obesidade;
- Histerectomia (retirada do útero);
- Constipação intestinal;
- Criança macrossômica (recém-nascidos com peso superior a 4 quilos);
- Situações que elevam a pressão abdominal, como as tosses crônicas, provenientes, por exemplo, do tabagismo.

Outros sintomas associados à bola na vagina
A “bola de carne” na vagina pode ser sentida especialmente quando as mulheres estão fazendo algum tipo de esforço físico, como carregando pesos ou fazendo exercícios.
Porém, quando a paciente tem prolapso vaginal, além da sensação da bola na entrada da vagina, a descida dos órgãos também podem levar a outros sintomas, como:
- Sensação de pressão na vagina e na pelve;
- Dor na região lombar;
- Incontinência urinária ou escapes de urina;
- Infecções urinárias de repetição;
- Dificuldades para esvaziar a bexiga;
- Dor na relação sexual;
- Dificuldade para evacuar.
Como diagnosticar o problema?
Quando o médico ouve: “Dr., tem uma bola na minha vagina”, ele já recebe o relato do primeiro sintoma do prolapso vaginal, a partir disso, fará um exame clínico, com uso de espéculo para comprovar a descida de algum órgão. Aliás, a queixa sobre a bola na vagina é a mais comum da distopia genital.
Na consulta, a força da musculatura vaginal e de outros órgãos pélvicos também poderão ser testados a partir de alguns procedimentos.
O médico também vai necessitar entender qual é a gravidade da queda dos órgãos internos para realizar um planejamento terapêutico. Para isso, a classificação do prolapso poderá ser avaliada a partir do sistema Pelvic Organ Prolapse- Quantification, que indica níveis de 0 a 4, sendo 0 nenhum prolapso, e 4, uma eversão completa, com o órgão já se projetando para fora da cavidade vaginal.
Exames como ultrassonografia, ressonância ou tomografia também irão conferir mais assertividade no diagnóstico, caso necessário.
Tratamento para bola na vagina
Não existe um tratamento clínico, mas de acordo com o nível do prolapso, essa sensação de bola na vagina poderá ser aliviada pelo método conservador ou totalmente eliminada por uma intervenção cirúrgica.
No tratamento conservador, que é indicado para mulheres que não querem se submeter à cirurgia ou têm algum risco cardiovascular, serão prescritos pessários vaginais, que são dispositivos removíveis que poderão aliviar a sensação dessa bola na vagina.
Já no tratamento cirúrgico podem ser realizadas abordagens para correção da falha do assoalho pélvico, reconstrução das fáscias para elevação dos órgãos como intestinos e bexiga; e reconstrução dos ligamentos.
Para casos mais graves, a cirurgia de prolapso vaginal pode contar com telas, que vão garantir uma melhor sustentação do assoalho pélvico, e reduzir as chances de recorrência do problema.
É possível prevenir essa sensação de bola na vagina?
Mulheres que tenham alguns fatores de riscos que poderiam levar a um prolapso vaginal, mas ainda não sentem nenhum sintoma, ou até mesmo aquelas que não se enquadram no “grupo de risco”, podem realizar algumas ações para evitar o problema.
Uma das formas de prevenir o prolapso vaginal e a consequente sensação de peso e bola na vagina, é fazendo o fortalecimento do assoalho pélvico, por meio da fisioterapia, com os exercícios de Kegel.
Evitar o sobrepeso e obesidade, ter hábitos alimentares saudáveis (com ingestão de fibras e legumes), que poderão evitar a constipação intestinal; e parar de fumar estão entre medidas preventivas eficazes.
Conclusão
As mulheres que sentem essa sensação de peso e bola na vagina ficam verdadeiramente reféns do problema, não se sentem confortáveis em nenhum ambiente que não seja a própria casa. Por isso, muitas vezes, acabam se isolando totalmente.
Como falar com outras pessoas sobre o problema também pode gerar constrangimento, muitas vezes, a situação pode levar a paciente à depressão.
A única forma de evitar todo esse quadro é buscar um médico especialista, que cuida da área uroginecológica, para entender que existe solução terapêutica para qualquer nível de prolapso, o que vai permitir a volta a uma vida normal.