Estima-se que a bexiga caída é um problema que afeta 20% das mulheres em todo o mundo. É uma condição que prejudica muito a qualidade de vida e pode provocar também muitos problemas emocionais.
Veja neste post o que é bexiga caída, sintomas, causas e tratamento.
O que é bexiga caída?
A bexiga caída também é conhecida como prolapso vaginal, bexiga baixa ou cistocele, é uma condição na qual os ligamentos que mantêm o órgão em seu devido lugar enfraquecem e fazem que a bexiga saia de sua posição normal e afunde em direção à cavidade vaginal.
A queda da bexiga ocorre porque há uma abertura na musculatura do assoalho pélvico feminino, no local onde atravessam estruturas como uretra, reto e vagina. Essa falha é conhecida como hiato urogenital, que é o responsável por causar uma fragilidade nesta região.
Assim, não é só a bexiga que pode cair, mas outros órgãos da cavidade pélvica. A paciente pode ficar com útero caído, além de uretra, intestino delgado e reto se insinuando para a vagina.
Além disso, existem diversos fatores de risco que podem comprometer a sustentação dos órgãos da cavidade pélvica feminina.
Essa condição vai afetar mulheres de diferentes perfis, mas costuma ter uma incidência maior a partir dos 40 anos.

Classificação da bexiga caída
Estágio 1: a maior parte do prolapso está mais de 1 cm acima do hímen;
Estágio 2: a maior parte do prolapso está entre 1 cm acima e 1 cm abaixo do hímen;
Estágio 3: a maior parte do prolapso está mais de 1 cm abaixo do hímen, mas ainda 2 cm mais curto que o comprimento vaginal total;
Estágio 4: eversão completa.
Esse problema pode gerar consequências físicas e emocionais, como perda de autoestima, depressão e até quedas nas frequência sexual e das atividades sociais.
Quando a bexiga caída chega no estágio 4, a mulher pode apresentar dificuldade para urinar e esvaziar totalmente a bexiga, aumentando o risco de infecções urinárias e em alguns casos danos à função renal.
Saiba mais sobre incontinência urinária no vídeo abaixo:
Causas da bexiga caída
Várias condições estão relacionadas ao aumento do risco de queda do órgão da cavidade pélvica:
- Envelhecimento;
- Hereditariedade;
- Gravidez e maior número de partos vaginais e instrumentais;
- Queda do hormônio estrogênio, devido à menopausa;
- Cirurgias prévias, como histerectomia;
- Constipação intestinal;
- Obesidade;
- Tosses crônicas;
- Atividades físicas extremas.
Diagnóstico envolve exames clínicos e testes
Ao contrário do que prega as crendices populares, não há chá para bexiga caída. Quando a paciente observa aqueles sintomas e desconfortos citados acima, ela deve procurar um especialista para esse tratamento.
Em muitas vezes, as pacientes não sabem que têm essa condição ou sequer conhecem qual médico cuida da bexiga caída, mas o especialista que deve ser buscado para tratar esse problema é o uroginecologista.
Quando a bexiga caída está nos estágios mais avançados, o médico poderá diagnosticar o problema a partir da anamnese e do exame clínico, que consiste no exame especular da vagina.
Além disso, o médico também pode solicitar exames como:
- Teste urodinâmico: avalia a função do trato urinário (capacidade da bexiga de reter e liberar a urina). Esse exame vai avaliar as pressões na bexiga durante enchimento vesical, a resistência uretral por meio de manobras de esforço e também avalia o esvaziamento da bexiga, através do estudo fluxo x pressão;
- Ressonância magnética: exame tem capacidade de avaliar o estágio do prolapso e também o possível envolvimento de outros órgãos.

Tratamento é de acordo com o estágio do problema
O tratamento de bexiga caída será de acordo com a avaliação que o urologista fez da gravidade da condição da paciente.
Quando os sintomas são leves, o médico pode indicar apenas a observação e acompanhamento, sem nenhuma abordagem terapêutica.
Já para graus mais avançados, é possível indicar o tratamento conservador, que consiste no uso de pessários, que são anéis para apoiar a bexiga.
Como são removíveis, é indicado que sejam retirados para a relação sexual e para higienização.
Essa solução não vai corrigir ou curar a bexiga caída, mas poderá aliviar os sintomas.
Cirurgia de bexiga caída
A cirurgia é a única abordagem que realmente vai resolver o problema. Uma intervenção cirúrgica poderá fazer a correção da falha do assoalho pélvico, reconstruindo as estruturas envolvidas, como fáscias, ligamentos e músculos.
Além disso, uma cirurgia de bexiga caída pode ser realizada com telas, especialmente quando o paciente apresenta-se com prolapso vaginal em estágio III ou IV. A tela vai garantir mais sustentação e reduzir o risco de recorrência dessa condição.
Quando a paciente passa por esse tipo de cirurgia, a recuperação pode ser mais rápida se seguir todas as orientações médicas. É preciso repouso, sem levantar pesos acima de 5 quilos (por exemplo, pegar crianças no colo) ou fazer exercícios intensos, porque os tecidos precisam de tempo para cicatrizar.
No entanto, não é indicado ficar o tempo todo deitada, uma caminhada leve pela casa evita acúmulos de líquidos e problemas de circulação.
No pós-operatório, a paciente poderá sentir dor pélvica ou dor ao urinar, mas serão prescritos medicamentos para aliviar esses desconfortos.
Outra dica importante é que a paciente tenha uma alimentação rica em fibras e muito afinco na hidratação, para evitar a constipação intestinal.
Prevenção do problema
Para pacientes que estão com grau leve de bexiga caída ou mesmo quem ainda não manifestou esse problema, os urologistas também indicam uma mudança de estilo de vida:
- Fazer o devido controle do peso corporal, tanto na obesidade como no sobrepeso;
- Realização de exercícios físicos;
- Alimentação balanceada com ingestão de fibras para evitar a constipação intestinal;
- Hidratação (aumentar ingestão de água);
- Fisioterapia para fortalecimento do assoalho pélvico, conhecidos como exercícios de Kegel;
- Tratar tosses crônicas;
- Parar de fumar.
Conclusão
A bexiga caída não é uma doença fatal, porém, traz impactos muito negativos para o emocional da paciente. Além disso, quando não tratada, pode evoluir de uma condição discreta para a bexiga para fora da vagina, o que impede totalmente a mulher de ter uma vida normal.
Por isso, buscar essa ajuda médica é imprescindível para que ela tenha qualidade de vida e volte aos seus afazeres normais do dia a dia. Muitas pacientes tratadas relatam uma verdadeira sensação de liberdade.